Chapeuzinho Vermelho
março 18, 2008

Chapeuzinho Vermelho

 

Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho, que tinha esse apelido pois desde pequenina gostava de usar chapéus e capas desta cor. Um dia, sua mãe pediu:

 

– Querida, sua avó está doente, por isso preparei aqueles doces, biscoitos, pãezinhos e frutas que estão na cestinha. Você poderia levar à casa dela?

 

– Claro, mamãe. A casa da vovó é bem pertinho!

 

– Mas, tome muito cuidado. Não converse com estranhos, não diga para onde vai, nem pare para nada. Vá pela estrada do rio, pois ouvi dizer que tem um lobo muito mau na estrada da floresta, devorando quem passa por lá.

 

– Está bem, mamãe, vou pela estrada do rio, e faço tudo direitinho! 

 

E assim foi. Ou quase, pois a menina foi juntando flores no cesto para a vovó, e se distraiu com as borboletas, saindo do caminho do rio, sem perceber. 

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Cantando e juntando flores, Chapeuzinho Vermelho nem reparou como o lobo estava perto…

 

 Ela nunca tinha visto um lobo antes, menos ainda um lobo mau. Levou um susto quando ouviu:

 

– Onde vai, linda menina?

 

– Vou à casa da vovó, que mora na primeira casa bem depois da curva do rio. E você, quem é?

 

O lobo respondeu:

 

– Sou um anjo da floresta, e estou aqui para preteger criancinhas como você.

 

– Ah! Que bom! Minha mãe disse para não conversar com estranhos, e também disse que tem um lobo mau andando por aqui.

 

– Que nada – respondeu o lobo – pode seguir tranqüila, que vou na frente retirando todo perigo que houver no caminho. Sempre ajuda conversar com o anjo da floresta.

 

 – Muito obrigada, seu anjo. Assim, mamãe nem precisa saber que errei o caminho, sem querer.

 

E o lobo respondeu:

 

– Este será nosso segredo para sempre…

 

E saiu correndo na frente, rindo e pensando:

 

(Aquela idiota não sabe de nada: vou jantar a vovozinha dela e ter a netinha de sobremesa … Uhmmm! Que delícia!)

 

Chegando à casa da vovó, Chapeuzinho bateu na porta:

 

– Vovó, sou eu, Chapeuzinho Vermelho!

 

– Pode entrar, minha netinha. Puxe o trinco, que a porta abre.

 

A menina pensou que a avó estivesse muito doente mesmo, para nem se levantar e abrir a porta. E falando com aquela voz tão estranha…

 

Chegou até a cama e viu que a vovó estava mesmo muito doente. Se não fosse a touquinha da vovó, os óculos da vovó, a colcha e a cama da vovó, ela pensaria que nem era a avó dela.

 

– Eu trouxe estas flores e os docinhos que a mamãe preparou. Quero que fique boa logo, vovó, e volte a ter sua voz de sempre.

 

 – Obridada, minha netinha (disse o lobo, disfarçando a voz de trovão).

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  Chapeuzinho não se conteve de curiosidade, e perguntou:

 

– Vovó, a senhora está tão diferente: por que esses olhos tão grandes?

 

– É prá te olhar melhor, minha netinha.

 

– Mas, vovó, por que esse nariz tão grande?

 

– É prá te cheirar melhor, minha netinha.

 

– Mas, vovó, por que essas mãos tão grandes?

 

– São para te acariciar melhor, minha netinha.

 

(A essa altura, o lobo já estava achando a brincadeira sem graça, querendo comer logo sua sobremesa. Aquela menina não parava de perguntar…)

– Mas, vovó, por que essa boca tão grande?

 

– Quer mesmo saber?

 

É prá te comer!!!!

 

– Uai! Socorro! É o lobo!

 

A menina saiu correndo e gritando, com o lobo correndo bem atrás dela, pertinho, quase conseguindo pegar.

 

Por sorte, um grupo de caçadores ia passando por ali bem na hora, e seus gritos chamaram sua atenção.

 

Ouviu-se um tiro, e o lobo caiu no chão, a um palmo da menina.Todos já iam comemorar, quando Chapeuzinho falou:

 

– Acho que o lobo devorou minha avozinha.

 

– Não se desespere, pequenina. Alguns lobos desta espécie engolem seu jantar inteirinho, sem ao menos mastigar. Acho que estou vendo movimento em sua barriga, vamos ver…

 

Com um enorme facão, o caçador abriu a barriga do lobo de cima abaixo, e de lá tirou a vovó inteirinha, vivinha.

 

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– Viva! Vovó!

 

E todos comemoraram a liberdade conquistada, até mesmo a vovó, que já não se lembrava mais de estar doente, caiu na farra.

 

 “O lobo mau já morreu. Agora tudo tem festa: posso caçar borboletas, posso brincar na floresta.”

 

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Não deixe de ver:

 

A Pequena Vendedora de Fósforos – Hans Christian Andersen

 

Muita história pra contar.

 

O Negrinho do Pastoreio 
  

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Ruth Rocha
março 13, 2008

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Borba, o gato

Borba, o gato, e Diogo, o cão, eram muito amigos.
Desde muito pequenos foram criados no mesmo quintal e, assim, foram ficando cada vez mais unidos.
Brincavam de pegador, de amarelinha e de mocinho e bandido.
Essa era a brincadeira de que eles mais gostavam.
Ás vezes, Borba era o mocinho e Diogo o bandido.
Outras vezes, era o contrário.
Vocês já ouviram falar que duas pessoas brigam como cão e gato?
Pois os nossos amigos nunca brigavam, apesar de serem realmente cão e gato.

De vez em quando, Diogo arreliava um pouquinho Borba, cantando:
– Atirei o pau no ga-to-to, mas o ga-to-to não morreu-reu-reu…
Mas o Borba nem ligava e eles continuavam amigos.

Quando chegou a hora de irem para escola, Diogo, que era um cão policial, resolveu estudar na escola da polícia.

Borba foi cantar a mãe:
– Sabe, mamãe? Eu também vou ser policial.
Dona Gata riu:
– Onde é que já se viu gato policial?
– Ora, mamãe, se existe cachorro policial, por que é que não pode haver gato policial?

Dona Gata explicou:
– Meu filho, gatos são gatos, cachorros são cachorros.
Existe gato siamês, gato angorá…existiu até aquele célebre Gato-de-Botas.
Mas gato policial, isso nunca houve.

– Mas, mamãe, só porque nunca houve não quer dizer que não possa aparecer um.
Afinal, é a minha vocação…

Diogo, todos os dias, trazia exercícios para fazer em casa:
– Hoje eu tenho que descobrir quem é que rouba o leite da casa de dona Marocas. Você quer me ajudar?

Borba sempre queria.
Mas, cada vez que ia ajudar seu amigo, arranjava uma boa trapalhada…
Mas o Borba não desistia:
– Sabe, Diogo?
Eu tenho escutado uns barulhos muito estranhos, de noite. Deve ser algum ladrão. Vamos ver se a gente pega?

E os dois saíram, de madrugada, para pegar o ladrão…
Que não era ladrão nenhum, era só o padeiro!

A mãe de Borba já estava zangada:
– Vamos acabar com esses passeios no meio da noite!
Criança precisa dormir bastante!

– Mas, mamãe, todos os gatos andam à noite pelos telhados.
– Isso são os gatos grandes. Você ainda é muito pequeno.
– Ah, mamãe, assim você atrapalha minha carreira!
E Borba continuava a treinar para policial.

E explicava a Diogo:
– Eu preciso reabilitar a raça felina.
Em todas as histórias, os ratos são bonzinhos e os gatos são malvados. Veja os desenhos animados.
Veja Tom e Jerry! É uma injustiça. Eu vou mostrar a todo mundo que os gatos são grandes homens, quer dizer, grandes gatos…

O tempo passou e Diogo recebeu seu diploma. Ganhou uma linda farda e todas as noites fazia a ronda do bairro:
– PRIIIUUUUU! PRIIIUUUUU!…

Borba ainda tinha esperanças de vir a ser um policial e por isso saía sempre com o seu amigo.
Uma noite, quando vinham passando pela casa do seu Godofredo, viram alguma coisa muito suspeita no telhado:

– O que é aquilo? – perguntou Diogo.
– Desta vez juro que é um ladrão.
– Mas eu não sei subir no telhado.
Como é que eu faço?
– Quem não tem cão caça com gato – disse o Borba.
– Deixa que eu vou.

E subiu pela calha como só os gatos sabem fazer.
Aproximou-se do ladrão por trás e …
– MIAAAUUUUUU!

O ladrão levou tamanho susto que despencou do telhado, caindo bem em cima do Diogo.
O Borba ainda gritou:
– Cuidado, Diogo!
Se ele te pega, faz cachorro-quente!

Mas o ladrão, que era o ladrão de galinhas, estava tão assustado que não conseguiu nem fugir.

– Está preso em nome da lei! – disse Diogo, todo satisfeito, pois era o primeiro ladrão que ele prendia.

Borba vinha descendo do telhado, todo orgulhoso.
Toda a vizinhança aplaudia os dois amigos:
– Agora podemos dormir sossegados!

Diogo levou seu prisioneiro para a delegacia e explicou, direitinho, como é que tinha prendido o ladrão.

O delegado quis logo conhecer o Borba e deu a ele uma condecoração:
– Parabéns, seu Borba!
O senhor daria um grande policial!

Borba piscou para o Diogo.
E foi admitido na corporação, mesmo sem fazer o curso.

Afinal, ele já tinha dado provas de ser um bom policial.
E ganhou o cargo de guarda dos telhados.

E agora, todas as noites, enquanto Diogo vigia as ruas, Borba cuida do seu setor.

A rua deles é a mais bem guardada da cidade.

Pois tem um policial na rua e um no telhado:
Borba, o gato.    

Ruth Rocha