Gabriela e a Titia
maio 14, 2008

Gabriela menina.
Gabriela levada…
Ô menina encapetada!

Gabriela foi passear com a titia.
A titia de Gabriela é engraçada,
gorducha, tagarela. Mas Gabriela não
gosta muito de conversa fiada.
E a titia fala pelos cotovelos…

Titia pára para falar com o peixeiro:
– Bom dia, seu Monteiro!
Que dia lindo, não é?
E patati, patatá…patati, patatá…
A titia não pára de falar…

A titia pára para falar com o padeiro:
– Bom dia, seu Zé Maria! O pão está fresquinho?
O pão está quentinho?
E patati, patatá…Patati, patatá…
A titia não pára de falar.
A titia pára para falar com a florista:
– Bom dia, dona Margarida! Como a loja está
florida! Gabriela só fica olhando…
se aborrecendo…enjoando…
E a titia falando!

Mas nesse dia…
Lá vão Gabriela e a titia.
E encontram uma coisa diferente, interessante realmente!
Um realejo! Desses que tocam umas musiquinhas do tempo do onça, com um macaquinho
engraçado que faz caretas e pede esmolas com
um gorro na mão.
Gabriela ficou encantada!

Mas a titia está apressada:
– Vamos embora, menina! Tenho tanto que fazer!
Preciso comprar um fio de linha…
Preciso comprar um alfinete…
Preciso comprar um selo do correio…
E lá vai a titia com a Gabriela pela mão.

A GABRIELA?
Lá se vai a titia com o macaco pela mão!
– Vamos embora, menina! Tenho que
comprar comida para o papagaio!

E Gabriela escapa para o outro lado.
Vai se encontrar com os amigos.
A turma da Gabriela é de amargar:
o Marcelo, a Mariana,
o Caloca, a Luciana,
Geraldinho, Valdemar.

Vamos brincar de esconder?
Gabriela convida.
E a turma toda vai brincar de esconder.

Enquanto isso, lá vai a titia ao bazar do seu
Maluf.
Seu Maluf olha espantado.
Dona Zulmira puxando um macaco pela mão!

Coitada de Dona Zulmira! Está ficando
caduca…” – ele pensa.
– “E o pior é que ela conversa com o macaco”!

A titia é distraída e nem olha para
Gabriela.
“Seu Maluf está esquisito…” – ela pensa…
“Está ficando caduco, coitado!
Olhando pra mim de um jeito gozado…”
Tia Zulmira sai do bazar. Vai pela rua puxando o macaco pela mão.
E o macaco estende pra todo mundo o
Gorrinho. Pedindo um dinheirinho…

As pessoas olham espantadas para a
tia Zulmira. Ela cumprimenta todo
mundo muito séria.
Vai puxando o macaquinho, que vai fazendo caretas pra todo lado.

Gabriela e a turminha já brincaram de tudo.
Já foram ao parque de diversões andar
de roda-gigante, já empinaram papagaio,
já andaram de barco na represa…
Só que começou a escurecer.
Todo mundo correu pra casa pra jantar.

Olhe lá a tia com o macaco pela mão. Já tem
uma porção de gente atrás dela.
E ela nem percebeu! Gabriela chega junto da tia
Zulmira.
Xii! Lá vem o homem do realejo!
Gabriela tira a mão do macaco
da mão da titia. Solta o macaco
e põe a sua mão no lugar.

E a titia? A titia não percebe nada!
A titia não pára de falar:
Patati, patatá! Patati, patatá!

Dona Zulmira levaGabriela para casa:
– Gostou do passeio, minha filha?
– Gostei muito, titia! Você nem pode
imaginar como eu me diverti…
Gabriela menina.
Gabriela levada…
Ô menina encapetada!

 

 

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Histórinha de hoje: Bom Dia, Todas as Cores!
abril 4, 2008

Bom Dia, Todas as Cores!

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor.
– Bom dia, sol, bom dia, flores,
bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho, mudou sua cor
Para a cor-de-rosa, que ele achava
A mais bonita de todas, e saiu para
O sol, contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz
Porque tinha chegado a primavera.
E o sol, finalmente, depois de
Um inverno longo e frio, brilhava,
Alegre, no céu.
– Eu hoje estou de bem com a vida
– Ele disse. – quero ser bonzinho
Pra todo mundo…

Logo que saiu de casa,
O Camaleão encontrou
O professor pernilongo.
O professor pernilongo toca
Violino na orquestra
Do Teatro Florestal.
– Bom dia, professor!
Como vai o senhor?
– Bom dia, Camaleão!
Mas o que é isso, meu irmão?
Por que é que mudou de cor?
Essa cor não lhe cai bem…
Olhe para o azul do céu.
Por que não fica azul também?

O Camaleão,
Amável como ele era,
Resolveu ficar azul
Como o céu da primavera…

Até que numa clareira
O Camaleão encontrou
O sabiá-laranjeira:
– Meu amigo Camaleão,
Muito bom dia e você!
Mas que cor é essa agora?
O amigo está azul por quê?

E o sabiá explicou
Que a cor mais linda do mundo
Era a cor alaranjada,
Cor de laranja, dourada.

Nosso amigo, bem depressa,
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo alaranjado,
Louro, laranja, dourado.
E cantando, alegremente,
Lá se foi, ainda contente…

Na pracinha da floresta,
Saindo da capelinha,
Vinha o senhor louva-a-deus,
Mais a família inteirinha.
Ele é um senhor muito sério,
Que não gosta de gracinha.
– bom dia, Camaleão!
Que cor mais escandalosa!
Parece até fantasia
Pra baile de carnaval…

Você devia arranjar
Uma cor mais natural…
Veja o verde da folhagem…
Veja o verde da campina…
Você devia fazer
O que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo bem verdinho.
E foi pelo seu caminho…


Vocês agora já sabem como era o Camaleão.
Bastava que alguém falasse, mudava de opinião.
Ficava roxo, amarelo, ficava cor-de-pavão.
Ficava de toda cor. Não sabia dizer NÃO.

Por isso, naquele dia, cada vez que
Se encontrava com algum de seus amigos,
E que o amigo estranhava a cor com que ele estava…
Adivinha o que fazia o nosso Camaleão.
Pois ele logo mudava, mudava para outro tom…

Mudou de rosa para azul.

De azul para alaranjado.

De laranja para verde.

De verde para encarnado.

Mudou de preto para branco.

De branco virou roxinho.

De roxo para amarelo.
E até para cor de vinho…

Quando o sol começou a se pôr no horizonte,
Camaleão resolveu voltar para casa.
Estava cansado do longo passeio
E mais cansado ainda de tanto
mudar de cor.
Entrou na sua casinha.
Deitou para descansar.
E lá ficou a pensar:
– Por mais que a gente se esforce,
Não pode agradar a todos.
Alguns gostam de farofa.
Outros preferem farelo…
Uns querem comer maçã.
Outros preferem marmelo…
Tem quem goste de sapato.
Tem quem goste de chinelo…
E se não fossem os gostos,
Que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se
Bem cedinho.
– Bom dia, sol, bom dia, flores,
Bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho,
Mudou sua cor para
A cor-de-rosa, que ele
Achava a mais bonita
De todas, e saiu para
O sol, contente
Da vida.

Logo que saiu, Camaleão encontrou o sapo cururu,
Que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.
– Bom dia, meu caro sapo! Que dia mais lindo, não?
– Muito bom dia, amigo Camaleão!
Mais que cor mais engraçada,
Antiga, tão desbotada…
Por que é que você não usa
Uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:
– Eu uso as cores que eu gosto,
E com isso faço bem.
Eu gosto dos bons conselhos,
Mas faço o que me convém.
Quem não agrada a si mesmo,
Não pode agradar ninguém…
E assim aconteceu
O que acabei de contar.
Se gostaram, muito bem!
Se não gostaram, AZAR!

 

 

Ruth Rocha

Ruth Rocha
março 13, 2008

borba.jpg

Borba, o gato

Borba, o gato, e Diogo, o cão, eram muito amigos.
Desde muito pequenos foram criados no mesmo quintal e, assim, foram ficando cada vez mais unidos.
Brincavam de pegador, de amarelinha e de mocinho e bandido.
Essa era a brincadeira de que eles mais gostavam.
Ás vezes, Borba era o mocinho e Diogo o bandido.
Outras vezes, era o contrário.
Vocês já ouviram falar que duas pessoas brigam como cão e gato?
Pois os nossos amigos nunca brigavam, apesar de serem realmente cão e gato.

De vez em quando, Diogo arreliava um pouquinho Borba, cantando:
– Atirei o pau no ga-to-to, mas o ga-to-to não morreu-reu-reu…
Mas o Borba nem ligava e eles continuavam amigos.

Quando chegou a hora de irem para escola, Diogo, que era um cão policial, resolveu estudar na escola da polícia.

Borba foi cantar a mãe:
– Sabe, mamãe? Eu também vou ser policial.
Dona Gata riu:
– Onde é que já se viu gato policial?
– Ora, mamãe, se existe cachorro policial, por que é que não pode haver gato policial?

Dona Gata explicou:
– Meu filho, gatos são gatos, cachorros são cachorros.
Existe gato siamês, gato angorá…existiu até aquele célebre Gato-de-Botas.
Mas gato policial, isso nunca houve.

– Mas, mamãe, só porque nunca houve não quer dizer que não possa aparecer um.
Afinal, é a minha vocação…

Diogo, todos os dias, trazia exercícios para fazer em casa:
– Hoje eu tenho que descobrir quem é que rouba o leite da casa de dona Marocas. Você quer me ajudar?

Borba sempre queria.
Mas, cada vez que ia ajudar seu amigo, arranjava uma boa trapalhada…
Mas o Borba não desistia:
– Sabe, Diogo?
Eu tenho escutado uns barulhos muito estranhos, de noite. Deve ser algum ladrão. Vamos ver se a gente pega?

E os dois saíram, de madrugada, para pegar o ladrão…
Que não era ladrão nenhum, era só o padeiro!

A mãe de Borba já estava zangada:
– Vamos acabar com esses passeios no meio da noite!
Criança precisa dormir bastante!

– Mas, mamãe, todos os gatos andam à noite pelos telhados.
– Isso são os gatos grandes. Você ainda é muito pequeno.
– Ah, mamãe, assim você atrapalha minha carreira!
E Borba continuava a treinar para policial.

E explicava a Diogo:
– Eu preciso reabilitar a raça felina.
Em todas as histórias, os ratos são bonzinhos e os gatos são malvados. Veja os desenhos animados.
Veja Tom e Jerry! É uma injustiça. Eu vou mostrar a todo mundo que os gatos são grandes homens, quer dizer, grandes gatos…

O tempo passou e Diogo recebeu seu diploma. Ganhou uma linda farda e todas as noites fazia a ronda do bairro:
– PRIIIUUUUU! PRIIIUUUUU!…

Borba ainda tinha esperanças de vir a ser um policial e por isso saía sempre com o seu amigo.
Uma noite, quando vinham passando pela casa do seu Godofredo, viram alguma coisa muito suspeita no telhado:

– O que é aquilo? – perguntou Diogo.
– Desta vez juro que é um ladrão.
– Mas eu não sei subir no telhado.
Como é que eu faço?
– Quem não tem cão caça com gato – disse o Borba.
– Deixa que eu vou.

E subiu pela calha como só os gatos sabem fazer.
Aproximou-se do ladrão por trás e …
– MIAAAUUUUUU!

O ladrão levou tamanho susto que despencou do telhado, caindo bem em cima do Diogo.
O Borba ainda gritou:
– Cuidado, Diogo!
Se ele te pega, faz cachorro-quente!

Mas o ladrão, que era o ladrão de galinhas, estava tão assustado que não conseguiu nem fugir.

– Está preso em nome da lei! – disse Diogo, todo satisfeito, pois era o primeiro ladrão que ele prendia.

Borba vinha descendo do telhado, todo orgulhoso.
Toda a vizinhança aplaudia os dois amigos:
– Agora podemos dormir sossegados!

Diogo levou seu prisioneiro para a delegacia e explicou, direitinho, como é que tinha prendido o ladrão.

O delegado quis logo conhecer o Borba e deu a ele uma condecoração:
– Parabéns, seu Borba!
O senhor daria um grande policial!

Borba piscou para o Diogo.
E foi admitido na corporação, mesmo sem fazer o curso.

Afinal, ele já tinha dado provas de ser um bom policial.
E ganhou o cargo de guarda dos telhados.

E agora, todas as noites, enquanto Diogo vigia as ruas, Borba cuida do seu setor.

A rua deles é a mais bem guardada da cidade.

Pois tem um policial na rua e um no telhado:
Borba, o gato.    

Ruth Rocha